Durante anos o suéter se contentou com o papel de forro: a camada que se veste por baixo do casaco e se esquece assim que a gente chega. Nesta temporada, o tricô sai da sombra e assume o papel principal. O cardigã se abotoa e é usado como blusa, o colete sem manga faz as vezes de casaco, as tranças grossas aparecem por cima de uma saia midi. Boa notícia para quem quer conforto com atitude: as peças-chave se acham em todo lugar, do grande magazine ao brechó.
O tricô como peça principal
O que muda em 2026 é o lugar do tricô no look: ele não é mais o que se esconde, é o que se mostra. Nas passarelas de outono-inverno, os suéteres apareciam por dentro de uma saia ou de uma calça de cintura alta, sem casaco por cima — no máximo um sobretudo aberto. A silhueta é simples: um tricô com presença, seja pela textura, pela cor ou pelo volume, e uma parte de baixo limpa.
As cores acompanham: bordô, chocolate, verde-musgo, cinza mescla e cru, em vez do preto. Um tricô numa cor decidida faz o look sozinho, com jeans reto e botinha. É a peça em que vale gastar um pouco mais, porque é ela que se vê.
A gola alta fininha por baixo de tudo
A gola alta fininha é a base da estação, a peça que a gente mais usa sem pensar. Em merino ou algodão misto, ela entra por baixo de uma camisa, de um vestido sem manga, de um blazer ou de um colete, e substitui a camiseta assim que as manhãs esfriam. Preta, crua, cinza, marinho: duas ou três dão conta do inverno inteiro.
Procure uma que fique próxima ao corpo sem apertar, com uma gola que se sustente sem abrir e um ponto fino o bastante para não criar volume por baixo da próxima camada. Em torno de 20 a 40 € na Uniqlo ou na Monoprix, é a peça mais rentável do armário de inverno. É também o pivô da sobreposição nos dias entre 8 e 20 °C: por baixo da camisa de manhã, sozinha à tarde.
As tranças grossas e a camiseta listrada de tricô
Do outro lado da gola alta fina está o polo oposto: o suéter grosso, de tranças, de canelado largo ou com desenho irlandês, aquele que aquece sozinho. Nesta temporada ele aparece em tons creme e bege, com a frente por dentro de uma saia midi ou de uma calça de pregas, para equilibrar o volume. Um cinto por cima marca a cintura sem achatar o ponto.
O suéter de listras marinheiras, azul e cru ou vermelho e cru, também volta, mais comprido e mais amplo do que era há dez anos. Ele fica bem com jeans largo ou saia jeans, e dá ar de fim de semana na praia a uma terça-feira qualquer. Em brechó, os modelos de lã das marcas bretãs saem por volta de 20 a 30 € e duram anos.
O cardigã usado sozinho, abotoado
É a tendência mais visível da estação: o cardigã que não se usa mais por cima de outra coisa, e sim como blusa, abotoado até em cima ou com um ou dois botões abertos. Curto, em ponto fino ou médio, com botões dourados, de madrepérola ou de madeira. Combina com saia lápis, calça larga, jeans de cintura alta.
Duas regras para funcionar: o ponto precisa ser fechado o bastante para não transparecer, e o cardigã precisa terminar na cintura, ou logo abaixo, para manter a linha. Os modelos de mohair leve, bem macios, pedem um cropped ou uma regatinha por baixo. A Sézane fez muito por essa silhueta; Mango, Zara e o brechó oferecem versões acessíveis na faixa de 30 a 50 €.
O colete sem manga
O colete sem manga, em tricô grosso, substitui o casaco sobre uma camisa ou uma gola alta. Usado comprido, na altura do quadril, sobre uma calça reta, alonga a silhueta e aquece o tronco sem atrapalhar os braços. Na versão curta, vai sobre uma camisa branca com as pontas aparecendo por baixo — um ar de estudante dos anos 90 muito atual.
Escolha numa cor que contraste com o que está por baixo: colete camel sobre camisa branca, colete verde-escuro sobre gola alta crua. É também a peça mais fácil de achar em brechó.
Lã, merino, mistura: escolher pelo bolso
O material é o que separa um suéter que dura três invernos de um que forma bolinha em três semanas. A lã merino, fina e macia, não coça e regula o calor: ideal para golas altas e cardigãs finos, na faixa de 40 a 70 € novo. A lã clássica, mais grossa, combina com tranças e listras marinheiras. O cashmere segue sendo luxo; em brechó, é boa compra se você conferir que não está feltrado.
As misturas com 30 a 50% de lã, e o resto em acrílico ou poliamida, são aceitáveis numa peça de tendência que você vai usar só uma temporada; abaixo disso, o tricô perde a forma na primeira lavagem. Puxe levemente o ponto para ver se ele volta ao lugar e olhe as costuras embaixo do braço. E, já que um bom suéter merece ser guardado, lavar, secar e guardar o tricô sem estragar faz parte do look.
Resumindo
Nesta temporada o tricô se mostra: por dentro de uma cintura alta, numa cor decidida, sem casaco por cima. Duas ou três golas altas finas servem de base, um suéter grosso e um cardigã abotoado fazem o look, o colete sem manga substitui o casaco. Escolha lã ou merino para o que fica, misturas para o que passa, e leia a etiqueta antes do preço.




