Cuidar dos tricôs: lavar, secar e guardar malha sem estragar

Lã, cashmere, mistura: a rotina que evita feltragem, bolinhas e traça, para tricôs que atravessam invernos.

Basta uma vez. Um suéter de cashmere jogado na máquina junto com o resto, programa a 40 °C, e o que sai serve numa criança de oito anos. A feltragem é irreversível e quase sempre acontece por distração. Ainda assim, o tricô é a peça do armário em que o cuidado mais rende: um suéter de lã bem tratado atravessa dez invernos e sai mais barato que três de acrílico trocados a cada temporada.

Ler a etiqueta antes de tudo

Tudo começa na composição. Lã virgem, merino, cashmere, mohair e alpaca são fibras animais: elas não gostam de calor, atrito e agitação — justamente a combinação que produz a feltragem. As misturas com poliamida ou acrílico perdoam mais, mas fazem muito mais bolinha.

Depois vêm os símbolos: tanque cortado significa não lavar com água; mão dentro do tanque, lavagem à mão; o número indica a temperatura máxima. Uma peça de lã ou cashmere com etiqueta de “lavagem a seco” costuma aceitar lavagem à mão sem risco; a lavanderia continua mais segura para peças estruturadas e cores vivas. Se você acabou de comprar um dos tricôs, cardigãs ou coletes da estação, leia a etiqueta costurada antes da primeira lavagem: é o único momento em que alguém lembra dela.

Lavar: à mão ou no programa lã

A frequência certa surpreende: um suéter usado por cima de camiseta se lava a cada cinco a dez usos, não a cada um. Entre eles, arejar uma noite numa cadeira resolve. Lavar menos também é gastar menos a fibra.

À mão são dez minutos. Água fria ou morna, nunca acima de 30 °C, sabão específico para lã ou xampu suave, a peça do avesso, submersa e pressionada de leve, sem esfregar nem torcer. Enxágue na mesma temperatura, porque o choque térmico feltra tanto quanto o calor. Depois enrole numa toalha grossa para absorver a água. Na máquina, o programa “lã” funciona bem com três condições: centrifugação de no máximo 400 rotações, peça do avesso dentro de um saquinho e sabão de lã sem amaciante. Nunca programa comum, mesmo a frio: é a agitação que feltra.

Secar deitado, jamais no cabide

Molhado, um tricô pesa duas a três vezes mais: pendurado, ele estica e os ombros marcam em calombos. A secagem, portanto, é na horizontal, sobre uma toalha seca, longe do aquecedor e do sol direto, que amarela a lã clara. Ajeite o formato com as mãos, ombros alinhados e mangas rentes ao corpo.

Conte de vinte e quatro a quarenta e oito horas, virando a peça na metade do caminho. No dia a dia também: malha se dobra e não se pendura, nem no cabide mais bonito. Já explicamos isso no nosso texto sobre cabides e o que eles fazem com as roupas — um tricô no cabide deforma em três semanas.

As bolinhas: o gesto que salva

Bolinha não é defeito de qualidade, ou não só: ela aparece onde a fibra atrita, embaixo do braço ou no contato com a bolsa. Um cashmere bom faz um pouco de bolinha no começo e depois estabiliza; uma mistura acrílica faz a vida inteira. Nos dois casos, a bolinha se retira, não se arranca.

A ferramenta mais segura é o pente para cashmere, uma laminazinha dentada que custa poucos euros: com a peça esticada na horizontal, passe o pente no sentido da malha, sem apertar. A máquina elétrica é mais rápida, mas pode furar malha fina; guarde-a para tricô grosso. E bolinha nunca se corta com tesoura: um fio puxado e vira buraco.

Guardar e proteger da traça

A traça não come a lã, ela come o que está na lã: suor, resíduo de perfume, migalha. Um tricô guardado limpo já está protegido. No inverno, dobre os suéteres na prateleira, sem espremer, com cedro ou lavanda trocados a cada estação; o cheiro afasta, não mata.

Para o verão, lave tudo e guarde em capas de algodão ou caixas fechadas, longe da luz. Na hora de tirar, um furinho irregular é a assinatura da traça: aí se lava tudo o que estava no mesmo lugar, aspira o armário e coloca as peças atingidas três dias no congelador, dentro de saco fechado.

Consertar o furo antes que ele cresça

Um furo do tamanho de uma ervilha se conserta em dez minutos; deixado um mês, ele desce ponto a ponto e vira rasgo. Assim que aparece, trave a malha com alguns pontos de linha fina da mesma cor. Para um furo de verdade, a cerzidura, que imita a malha com agulha, se aprende numa noite de tutoriais.

O remendo aparente, com linha contrastante, virou até uma escolha estética. E, se você não tem tempo nem vontade, uma costureira faz isso por poucos euros — para tricô, consertar quase sempre sai muito mais barato que recomprar.

Resumindo

Lave pouco, a frio, à mão ou no programa lã sem centrifugação forte; seque deitado, com o formato ajeitado; guarde dobrado e limpo, com cedro; tire as bolinhas com pente e conserte o primeiro furo no dia em que ele aparecer. São cinco gestos de poucos minutos, e é o que separa um tricô que dura um inverno de um tricô que atravessa dez.

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