Montar o guarda-roupa em segunda mão: o método

Onde procurar o quê, quais peças valem a pena usadas e quais comprar novas: o plano para um closet que dura.

Um casaco de lã com cashmere, um blazer forrado, um suéter de merino que não bolinha: novas, essas peças custam o preço de um aluguel. Em segunda mão, saem por uma fração disso, muitas vezes em estado melhor do que a gente imagina, desde que você saiba o que procurar e onde. Não é questão de sorte, é método. Este é o que permite montar, peça por peça, um closet que dura.

O que vale comprar usado: casacos, couro, tricô, blazers

A segunda mão é imbatível em tudo que foi bem feito na origem e envelhece bem. Casacos, primeiro: uma lã densa, um forro limpo, botões costurados firme, e pronto — é uma peça que atravessa cinco invernos. O couro em seguida — jaquetas, saias, bolsas, cintos —, que ganha em patina o que perde em rigidez. O tricô natural, merino, cashmere ou alpaca, cujo preço no novo se explica pelo material, e que se lava e volta à forma. E os blazers, quase sempre usados duas vezes antes de virarem fundo de armário, e cuja modelagem se corrige fácil. Some a isso o jeans de denim cru, os lenços de seda e as bijuterias, e você tem a lista das peças que não precisa mais comprar pelo preço cheio.

O que é melhor comprar novo

Nem tudo funciona em segunda mão, e dizer isso evita decepção. Roupa íntima e maiô, por motivos óbvios. Camiseta branca e básicos de algodão fino, que custam pouco novos e chegam quase sempre já deformados ou amarelados. Tênis usado, cujo solado já pegou o formato de outro pé. E as peças muito da moda, que aparecem usadas quase pelo mesmo preço da Zara ou da H&M, porque todo mundo procura ao mesmo tempo. Para essas categorias, melhor um novo acessível e bem escolhido, em Uniqlo, Kiabi ou Monoprix, do que usado por princípio.

Plataformas, brechós, consignação: cada um para uma coisa

Cada circuito tem a especialidade dele. O Vinted é o melhor lugar para peças de marcas conhecidas a preço baixo e para caçar um modelo específico: o volume é enorme, a busca por filtros funciona bem, e o nosso guia para comprar bem no Vinted detalha os cuidados. O Vestiaire Collective e as lojas de consignação físicas são feitos para o alto padrão — bolsa, casaco ou sapato de grife —, com uma checagem de autenticidade e estado que justifica a comissão. Já os brechós e os bazares de closet são o terreno do achado: você não procura nada específico, toca os tecidos, experimenta, e é ali que aparece o casaco dos anos 80 que não tem equivalente em loja. Bazares beneficentes e Emmaüs completam o quadro para os preços realmente baixos.

Procure por material e por medidas

Online, a diferença entre um bom negócio e uma encomenda que volta está na busca. Digite o material antes da marca: “casaco lã”, “suéter cashmere”, “jaqueta couro cordeiro” filtram de uma vez as peças que valem a viagem. Depois esqueça os tamanhos, que variam de marca para marca e de década para década, e raciocine em centímetros. Meça uma roupa que serve bem em você — busto esticado na mesa, comprimento de manga, comprimento total, largura de ombro — e guarde esses números no celular. Peça as medidas esticadas à vendedora quando faltarem: quem responde rápido e com precisão costuma ser quem descreve bem os próprios anúncios. Salve suas buscas favoritas para ser avisada quando a peça aparecer.

Conferir, limpar, ajustar

Na chegada, ou no provador, confira sempre os mesmos pontos: axilas e gola atrás de manchas, cotovelos e traseiro atrás de brilho de desgaste, casas de botão, zíperes, forro, e o cheiro, que não mente. Uma peça limpa passa depois por uma lavagem adequada ou pela lavanderia, um tira-bolinhas no tricô, uma graxa no couro. Aí vem o ajuste, que é o segredo dos closets de segunda mão que dão certo: encurtar um casaco, ajustar um blazer na cintura ou refazer uma bainha custa em geral de 10 a 30 euros e transforma uma peça quase boa numa peça feita para você. O nosso artigo sobre os ajustes que valem a pena traz a lista do que sai fácil e do que não compensa pagar.

O ritmo: uma peça de cada vez

A segunda mão facilita o acúmulo, porque tudo é barato. Essa é a armadilha. Um guarda-roupa que funciona se constrói ao contrário: uma lista de faltas, curta e específica (um casaco camelo, um blazer marinho, uma bota de couro), e uma busca de cada vez. Cada peça encontrada é usada por algumas semanas antes de você partir para a próxima, o que dá tempo de conferir se ela conversa com o que você já tem. Ao fim de um ano, nesse ritmo, você trocou as peças cansadas por peças mais bem feitas, sem ter gastado mais do que antes, e sem que o armário tenha dobrado de volume. Segunda mão não é caçada: é plano.

Resumindo

Reserve a segunda mão para as peças que envelhecem bem — casacos, couro, tricô natural, blazers — e compre novos os básicos baratos e a roupa íntima. Escolha o circuito conforme a peça: Vinted para o específico, consignação para o alto padrão, brechó para o achado. Procure por material e por centímetros, depois confira, limpe e ajuste. E avance uma peça de cada vez, com uma lista: é a única forma de ter melhor sem gastar mais.

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