Proteger os sapatos da chuva e do sal: o guia do inverno

Impermeabilizar, secar direito, hidratar o couro, colocar meia-sola: a rotina que faz bota e mocassim atravessarem o inverno inteiro.

Todo mundo tem um par na cabeça. A bota de camurça caramelo comprada em outubro e marcada para sempre por uma chuva de novembro; o mocassim de couro cuja ponta esbranquiçou depois de uma calçada com sal em janeiro. Nos dois casos, dez minutos de preparo antes teriam resolvido. Cuidar de sapato não é complicado nem caro: um spray impermeabilizante, uma escova, um pano, uma graxa e, principalmente, um pouco de constância antes do estrago aparecer. Esta é a rotina que faz bota, ankle boot e mocassim atravessarem o inverno — em couro liso ou camurça.

Impermeabilizar antes da primeira chuva

O gesto que mais rende é o que se faz antes de sair, não depois. Um impermeabilizante em spray, na faixa de 10 a 15 €, vendido em sapataria, supermercado grande ou loja de calçados, cria uma camada invisível que faz a água escorrer em vez de entrar. Aplique com o sapato limpo e seco, ao ar livre ou perto de uma janela aberta, a uns vinte centímetros de distância, em duas passadas leves em vez de uma pesada, e deixe secar de um dia para o outro. Em camurça e nobuck, escolha um produto que cite esses materiais e teste antes numa parte discreta — a lingueta, o lado de dentro do cano —, porque alguns escurecem um pouco a cor. Repita a cada três ou quatro semanas na estação úmida, e sempre depois de uma limpeza.

Secar sem aquecedor

Sapato encharcado seca devagar, nunca em cima do aquecedor nem no secador de cabelo. O calor direto endurece o couro, faz rachar e às vezes descola a sola. O jeito certo: tire a palmilha, encha o sapato com papel jornal ou papel-toalha para puxar a umidade e manter o formato, troque o papel depois de uma hora e deixe secar em temperatura ambiente, em pé e com o cano aberto, por umas vinte e quatro horas. Alargadores de madeira de cedro, entre 15 e 25 € o par, fazem melhor que o papel: absorvem, desodorizam e esticam o sapato. E camurça molhada só se toca depois de seca por completo — na fibra úmida, a escova marca.

As manchas de sal e de chuva

O sal usado contra o gelo deixa auréolas brancas no couro, e a água da chuva, ao secar, desenha aquele contorno mais escuro. Os dois se tratam assim que você chega em casa, antes de fixarem. No couro liso, um pano úmido passado no cano inteiro, e não só em cima da mancha, evita criar uma segunda marca; se o sal insistir, uma mistura de água e vinagre branco em partes iguais, aplicada com pano, dissolve, e depois se enxágua com água limpa. Na camurça, espere secar totalmente e escove com escova de crepe ou de latão para levantar o pelo; uma borracha própria para camurça resolve o que sobrar. Esses tratamentos também tiram a camada de impermeabilizante, então reaplique em seguida. O cuidado completo com couro, incluindo jaqueta e bolsa, está no nosso guia de como cuidar do couro.

Graxa no couro, escova na camurça

Uma vez por mês no inverno, o couro liso pede alimento. Tire a poeira, aplique um creme ou uma graxa da cor do sapato — ou incolor, se estiver na dúvida — em pouca quantidade e em movimentos circulares, deixe penetrar dez minutos e lustre com escova macia. O couro volta a ficar flexível e ganha proteção contra a água. Camurça não leva graxa: leva escova, sempre terminando no mesmo sentido, e um spray renovador do tom certo quando a cor estiver apagada. Um kit completo — escova, pano e creme — sai por uns vinte euros e dura anos.

Meia-sola e o salto

Solas de couro, comuns em mocassim, derby e bota de boa fatura, bebem água e gastam rápido no asfalto molhado. O sapateiro cola uma meia-sola fina de borracha por algo entre 15 e 25 €, de preferência antes do primeiro uso, com a sola ainda plana. O salto se gasta pela taquinha, aquela pecinha de baixo: depois que ela vai embora, quem sofre é o salto inteiro, e aí o conserto custa muito mais. Trocar a taquinha leva dez minutos e custa poucos euros; os preços dos consertos mais comuns estão em consertar em vez de comprar de novo. Para as botas da estação, a sola já conta na hora da compra: nossa seleção de botas de outono-inverno ajuda a escolher um par que aguenta chuva.

Alternar os pares

O couro precisa de um dia de descanso para soltar a umidade do pé e da rua. Usar o mesmo par todo dia gasta duas vezes mais rápido do que revezar entre dois; é esse o argumento para ter dois pares de inverno em vez de um. Entre uma saída e outra, guarde em pé, com alargador ou papel dentro, longe de fonte de calor e nunca empilhado dentro de uma sacola. No fim da estação, um par limpo, hidratado e guardado na caixa ou numa capa de tecido volta em outubro como novo.

Resumindo

Impermeabilize antes da primeira chuva e repita a cada três ou quatro semanas. Seque ao ar, com o sapato cheio de papel, jamais no aquecedor. Trate sal e manchas assim que chegar em casa, hidrate o couro uma vez por mês e escove a camurça. Ponha meia-sola e troque a taquinha antes que ela suma. E deixe cada par descansar um dia sim, um dia não.

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