Couro: como cuidar da jaqueta, da bolsa e do sapato para durarem

Hidratar, impermeabilizar, guardar: a rotina simples que faz o couro envelhecer bonito em vez de rachar.

Uma jaqueta de couro bem tratada fica mais bonita aos dez anos do que ao primeiro: a pátina se instala, as dobras se desenham nos lugares certos, a cor ganha nuance. Já uma jaqueta esquecida num cabide de arame racha nos cotovelos logo no terceiro inverno. A diferença não está no preço nem na marca, e sim numa rotina de dez minutos por estação. É essa rotina — que serve para a jaqueta, a bolsa e o sapato — que vem a seguir.

Liso, granulado, camurça: cada um com a sua rotina

Antes de abrir qualquer produto, identifique o couro. O couro liso, das jaquetas clássicas e da maioria dos sapatos sociais, aceita creme e graxa. O couro granulado, de superfície texturizada, é mais resistente e se contenta com limpeza e um creme incolor. Camurça e nobuck, de superfície aveludada, não toleram nem creme nem cera: escova e impermeabilizante, e mais nada. Produto gorduroso em camurça mancha para sempre.

Na dúvida, pingue uma gota de água numa área escondida: ela vira bolinha no couro liso com acabamento e é absorvida na camurça ou no couro sem tratamento. Confundir as rotinas é a primeira causa de couro estragado.

Limpar sem estragar

Primeiro tira-se o pó com um pano macio e seco, insistindo nas costuras e nas dobras. Para uma mancha leve em couro liso, um pano quase seco com algumas gotas de sabão neutro, sem esfregar, e secagem ao ar livre, longe do aquecedor. Lenço umedecido de limpeza doméstica, álcool e vinagre estão proibidos: dissolvem o acabamento e deixam auréolas impossíveis de corrigir.

A camurça se limpa a seco, com escova de crepe ou borracha específica, no sentido do pelo e depois contra ele, para levantar a fibra. Mancha de gordura sai com terra de Sommières deixada de um dia para o outro e depois escovada. Couro muito sujo ou mofado vai para uma lavanderia especializada, em vez de virar experimento.

Hidratar: quando e com o quê

Couro resseca como pele. Hidrate duas vezes por ano, na entrada e na saída do inverno, com um bálsamo à base de ceras naturais, aplicado com pano em movimentos circulares. Deixe penetrar uma hora e lustre com um pano limpo. Bálsamo incolor serve para todos os couros lisos; um bálsamo pigmentado reaviva a cor de uma peça que desbotou.

Hidratar demais é tão ruim quanto de menos: couro encharcado de gordura fica mole, brilhante e atrai poeira. Uma noz de produto basta para uma jaqueta inteira. Evite óleo de cozinha e produtos multiuso, que entopem os poros e envelhecem o couro mais rápido; um bálsamo bom custa uns 10 € e dura anos.

Impermeabilizar antes das chuvas

Setembro é o mês de tirar o spray impermeabilizante do armário. Aplique na peça limpa e seca, a uns trinta centímetros de distância, em duas camadas leves em vez de uma grossa, ao ar livre ou com a janela aberta. Ele protege da chuva e das manchas sem mudar o aspecto do couro, e é indispensável na camurça, que marca à menor gota. Renove a cada seis ou oito semanas na estação úmida.

Nos sapatos, a proteção se completa com um gesto depois de cada chuva: enxugue, encha de papel jornal e deixe secar longe do aquecimento. Auréolas de sal do inverno saem com um pano úmido, antes de hidratar.

Guardar: capa, forma, ventilação

Couro precisa de ar e detesta plástico. Jaqueta se guarda em cabide largo de ombro arredondado — nunca de arame — dentro de uma capa de algodão ou de lona. Bolsa se guarda recheada de papel de seda para manter a forma, dentro do saquinho de tecido, deitada e não pendurada pelas alças. Sapato se guarda com formas de cedro, que absorvem umidade e endireitam o cano.

Evite sacos plásticos e porões úmidos, que mofam, tanto quanto sótãos superaquecidos e sol direto, que desbotam e ressecam. A bolsa do dia a dia merece ser esvaziada de vez em quando, para as alças descansarem.

Consertar: solado, costura, tingimento

O couro tem a vantagem de quase sempre ter conserto. Um sapateiro troca o solado de uma bota por algumas dezenas de euros e substitui um salto em quinze minutos. Ele recostura alça de bolsa, troca zíper, coloca proteção sob um solado novo. Um tingimento profissional recupera uma jaqueta clareada nos ombros ou disfarça um arranhão fundo.

O reflexo certo é agir cedo: solado gasto até o cabedal ou costura rasgando custam muito mais para recuperar do que para prevenir. Antes de comprar outro, peça um orçamento.

Resumindo

Identifique o couro antes de tocar nele: liso e granulado aceitam creme, camurça só escova e impermeabilizante. Tire o pó com frequência, limpe com delicadeza, hidrate duas vezes por ano com uma noz de bálsamo. Impermeabilize em setembro, guarde em cabide largo, dentro de capa de tecido, com formas nos sapatos. E conserte aos primeiros sinais de desgaste — porque um couro bem cuidado envelhece melhor do que qualquer coisa que se compre nova.

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