Vestido chemise: a peça que atravessa a estação, do trabalho ao domingo

Com cinto e bota, aberto por cima do jeans, por baixo de um tricô grosso: o vestido chemise se usa de setembro a dezembro.

Existem peças que a gente compra para uma ocasião e peças que sustentam a semana inteira. O vestido chemise é do segundo tipo: na segunda, com cinto e bota, para o trabalho; na quinta, aberto como um casaco comprido por cima do jeans; no domingo, por baixo de um tricô grosso, virando saia. Um só resolve três silhuetas, e é exatamente o que o outono pede, quando as manhãs são frias, as tardes ainda são amenas e a vontade de comprar menos, porém melhor, é real.

Por que ele atravessa a estação

O vestido chemise tem uma vantagem sobre todos os outros vestidos: ele abre. Abotoado, é vestido; desabotoado, casaco leve; enfiado por baixo de um tricô, saia. Essa flexibilidade permite acompanhar as temperaturas de setembro a dezembro sem mudar nada além do que se usa por baixo e por cima. O colarinho faz o resto: emoldura o rosto e dá à peça a seriedade que falta a um vestido fluido.

Ele também agrada porque não data. Estava aí cinco anos atrás, está aí nesta estação em versões alongadas, com cinto ou em popeline mais rígida, e vai continuar daqui a cinco anos. Dá para comprar uma versão boa sabendo que ela se paga, ou uma versão acessível em marcas como Uniqlo, Mango ou H&M, na faixa de 40 a 60 €.

Escolher o comprimento e o tecido

O comprimento certo para o outono para na batata da perna, o famoso midi: comprido o bastante para meia-calça e bota, curto o bastante para não arrastar na poça. Acima do joelho ele volta a ser peça de verão, a ser dobrada com meia-calça opaca. Silhuetas mais baixas costumam se dar melhor com um comprimento logo abaixo do joelho, que evita o efeito de vestido engolindo o corpo.

Sobre tecidos, a popeline de algodão segura ombro e colarinho, mas amassa; a sarja e a gabardine leve caem melhor; a viscose e o lyocell, mais fluidos, pedem cinto para não ficarem soltos no corpo. A flanela e o veludo cotelê fino chegam às lojas nesta estação e entregam um vestido chemise francamente invernal.

Com cinto e bota

É a versão mais simples e mais favorável: o vestido abotoado quase até em cima, um cinto na cintura, botas altas ou de cano curto. O cinto faz todo o trabalho: marca a cintura, encurta o vestido alguns centímetros ao criar um leve bufante e transforma um vestido reto em silhueta. Couro fulvo num vestido cáqui, cinto preto fino num listrado — é o acessório que estrutura qualquer look.

Nos pés, as botas altas de couro marrom ou preto, com meia-calça fina, respondem tanto ao trabalho quanto ao jantar; a bota de cano curto e salto quadrado resolve o dia a dia; o mocassim, com meia fina, dá um ar de estudante elegante. É um dos looks de trabalho da volta à rotina que montamos: justamente o que exige menos pensamento de manhã.

Aberto, por cima do jeans e da camiseta

Desabotoado de cima a baixo, o vestido chemise vira um casaco comprido. Por baixo, um jeans reto e uma camiseta branca ou uma gola alta fininha; nos pés, tênis branco ou botinha rasteira. O vestido aberto traz o comprimento e o movimento de um casaco sem o peso: é a versão ideal para os dias de setembro em que ninguém sabe se vai fazer 14 ou 22 graus.

Dois detalhes mudam tudo: tirar o cinto, para não pesar no quadril, e dobrar as mangas duas vezes, o que alivia a silhueta. Esse look pede um tecido com estrutura, popeline ou sarja; um vestido fluido aberto vai pendurar sem forma nenhuma.

Por baixo de um tricô grosso, como saia

A versão de novembro: um tricô grosso, gola redonda ou alta, vestido por cima do chemise abotoado. Só a parte de baixo aparece, e o vestido vira uma saia midi, com o colarinho surgindo — ou não — no decote do tricô. É um jogo de sobreposição que se vê em todo lugar nesta estação, e não exige nenhuma peça nova.

A regra: um tricô curto o bastante para não cobrir mais da metade do vestido, senão a silhueta se corta no lugar errado. As botas altas fecham o look e combinam perfeitamente com esse comprimento midi. Um casaco comprido, um cachecol, e você está vestida até o Natal.

As cores da estação: cáqui, chocolate, listras

O cáqui continua sendo a cor do vestido chemise por excelência: lembra a origem militar da peça, vai com jeans, preto, fulvo e branco, e suja pouco. O chocolate é o tom da estação, mais quente, mais arrumado, lindo com bege e bordô. As listras finas, azul e branco ou preto e cru, entregam um vestido chemise de escritório que dispensa qualquer bijuteria.

Para um primeiro vestido chemise, evite estampas muito marcadas, que limitam as sobreposições. Um liso ou um listrado se usa com tudo; o segundo, florido ou xadrez, vem quando o primeiro já provar seu lugar.

Resumindo

Escolha um vestido chemise midi, em popeline, sarja ou flanela, num cáqui, num chocolate ou numa listra fina. Use com cinto e bota para o trabalho, aberto sobre jeans e camiseta nos dias amenos, e por baixo de um tricô grosso, como saia, quando o frio se instalar. Uma peça só, três looks por semana e um outono inteiro sem se perguntar o que vestir.

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