Escolher o casaco de inverno: corte, tecido e orçamento

Porcentagem de lã, comprimento, corte reto ou com cinto, cor: como escolher o casaco que dura cinco invernos.

Durante toda a estação fria, o casaco é a peça que você usa todo dia, por cima de tudo, e a primeira que os outros veem. É também a compra que mais se erra: fino demais para o pico do frio, comprido demais para o trajeto, de uma cor da qual você enjoa em três semanas. Para quem quer um casaco só, mas o certo, aqui vai o que basta para ler uma etiqueta, julgar um corte e definir um orçamento.

Por que o casaco merece a maior fatia do orçamento

Usado cinco dias por semana durante quatro meses, um casaco sai de casa quase oitenta vezes por inverno. Nenhum tricô, nenhuma saia chega perto desse ritmo. Dividido pelo número de usos, um casaco de uns 250 € que dura cinco invernos sai mais barato que um de 80 € trocado todo ano.

É também a peça que decide o visual. Um casaco bem cortado deixa apresentável um jeans com um tricô básico; um casaco que cai mal estraga o vestido mais bonito. Se o orçamento da estação é curto, coloque tudo aqui e espere para o resto.

Ler a composição: a parte de lã

A etiqueta costurada no forro conta quase tudo. Um bom casaco de inverno tem pelo menos 60% de lã; acima de 80%, ele esquenta mesmo com vento frio. Abaixo de 50%, o tecido é majoritariamente poliéster ou acrílico: quente ao toque, mas não respira e solta bolinha no atrito da alça da bolsa.

“Lã virgem” quer dizer lã nova, nunca reciclada, mais macia e mais resistente; um pouco de cashmere ou de alpaca amacia sem estourar o preço. Confira também o forro: em viscose ou cupro, ele desliza sobre o tricô e respira; em poliéster, faz suar. Os detalhes que denunciam a qualidade de uma peça na loja valem para o casaco mais do que para qualquer outra coisa.

Comprimento e corte segundo a silhueta

Acima do joelho, o casaco é leve, prático de bicicleta, e alonga a perna de quem é baixinha. Na altura da panturrilha, ele protege de verdade e dá aquele ar envolvente da estação. Exatamente no joelho costuma ser o menos favorável: corta a perna justamente onde ela é mais larga.

Experimente com um tricô grosso por baixo, nunca com uma camiseta: é assim que você vai usar. Os ombros precisam cair no lugar, nem apertados nem flutuando, e os braços devem se cruzar na frente sem repuxar as costas. Um casaco perfeito nos ombros e um pouco comprido se encurta fácil; o contrário é impossível.

Reto, com cinto, oversized

O casaco reto, de corte sóbrio, é o mais atemporal: vai do escritório ao fim de semana, sobre vestido ou sobre jeans, e é o que menos sai de moda. É a escolha segura de quem vai ter um casaco só.

O de cinto, estilo robe, marca a cintura num gesto; favorece quadril e busto mais marcados e também funciona aberto, com o cinto amarrado atrás. O oversized, de ombro caído, é lindo em silhuetas alongadas, mas engole quem é miúda. Na dúvida, vá de reto, levemente amplo, com uma gola que se levante.

Camel, marinho, cinza, preto: a cor que dura

Quatro cores atravessam os anos. O camel aquece a pele e combina com tudo, mas marca mais rápido a chuva e o atrito. O marinho é o mais discreto e o mais chique, mais suave que o preto sob a luz de inverno. O cinza-chumbo casa tanto com preto quanto com bordô ou verde. O preto continua o mais fácil de cuidar, ao custo de uma certa severidade.

Marrom chocolate, verde-floresta, bordô: as cores do momento são lindas, mas cansam mais rápido. Se você vai comprar um casaco só, deixe essas cores para o cachecol.

Novo, segunda mão, brechó

Novo, conte com algo em torno de 150 a 250 € para um casaco majoritariamente de lã nas redes de preço médio, e passando de 300 € quando se aproxima dos 100% de lã. Nas redes de fast fashion o corte existe, mas a composição raramente passa de 50% de lã: leia antes de pagar.

A segunda mão muda tudo numa peça que envelhece devagar: em plataformas de revenda dá para achar casacos de lã de ótima fatura pelo preço de um modelo novo de entrada. Vale procurar um brechó que já entregue a peça provada, conferida e limpa.

Cuidar para cinco invernos

Casaco de lã não se lava: se areja. Uma noite num cabide largo, perto de uma janela entreaberta, resolve o cheiro. A escova de cerdas naturais tira a poeira e levanta as fibras; o tira-bolinhas resolve o atrito nos quadris.

Uma lavagem a seco por ano, no fim do inverno, e depois uma capa de tecido com um bloquinho de cedro contra traça. Pregue de volta o botão assim que ele bambear, mande refazer o forro se rasgar: são consertos baratos que dobram a vida da peça.

Resumindo

Coloque o maior orçamento da estação no casaco: é a peça mais usada e mais vista. Exija pelo menos 60% de lã, um forro que respire e ombros que caiam certo com um tricô por baixo. Um modelo reto, um pouco comprido, em camel, marinho, cinza ou preto, atravessa cinco invernos sem cansar. Pense na segunda mão antes do novo, e areje em vez de lavar.

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