Joias douradas: montar um conjunto discreto para usar todo dia

Corrente fininha, argolas, anéis empilhados: como montar um conjunto dourado que você não tira mais, sem exagero.

Tem quem não use nada com medo de exagerar, e tem quem acumule tanto que nada mais aparece. No meio do caminho existe um jeito de usar joia dourada todo dia sem precisar de orçamento de joalheria nem de decisão nova toda manhã: um conjunto fixo, pensado uma vez, que fica no corpo do café da manhã até o jantar. Aqui vai como montar, peça por peça, e como fazer durar.

Folheado, vermeil, aço: o que você está comprando de verdade

A palavra “dourado” esconde três coisas diferentes. O folheado é uma base de latão com uma camada fina de ouro por cima: é o mais barato, na faixa de 20 a 40 €, mas a camada se gasta em poucos meses onde há atrito, principalmente em anéis e pulseiras. O vermeil é prata maciça com pelo menos 5 mícrons de ouro: dura bem mais, funciona em pele sensível e pode ser repolido, custando algo entre 60 e 120 €. Já o aço inoxidável dourado não escurece, aguenta água e custa como o folheado, só que costuma ter um tom mais amarelado e mais brilhante.

Para o que você nunca tira — a corrente base e as argolas —, vermeil ou aço são as escolhas mais sensatas; o folheado fica para as peças de temporada. Na hora de comprar, uma pergunta resolve: qual é a base e qual a espessura da camada. Na França, o termo “folheado a ouro” pressupõe pelo menos 3 mícrons; abaixo disso é só “dourado”, e a camada vai embora rápido.

A regra do ponto focal

Todo conjunto bem montado tem um centro: um medalhão um pouco maior, uma corrente claramente mais grossa, um anel de chancela. O resto se organiza em volta, sempre mais fino. Quando tudo tem a mesma espessura, o olho não sabe onde pousar e o conjunto parece pesado mesmo com três peças.

O ponto focal manda no resto: se ele está no pescoço, orelhas e mãos ficam no mínimo; se está nas mãos, a corrente volta a ser só um fiozinho. É a mesma lógica do acessório forte dentro de um look — quando você decide dar destaque a um lenço de seda amarrado no colarinho, não acrescenta um colar de medalhão em cima.

Correntes: comprimentos e espessuras

Duas correntes bastam, três no máximo. A regra que funciona: comprimentos separados por pelo menos três centímetros e elos diferentes. Uma corrente cadeado fina de 40 cm, rente às clavículas; um elo mais achatado de 45 cm; e, se quiser, um pingente de 50 cm. Com elos iguais, elas embolam e leem como uma corrente só bagunçada; com elos diferentes, cada uma existe.

Em gola alta, fique só com a mais comprida; em decote V ou camisa aberta, use as duas ou as três. E fuja do tom sobre tom: em tricô mostarda, camelo ou ocre, o dourado se dissolve na cor e some. Ele aparece mesmo é sobre branco, preto, marinho e verde garrafa.

Argolas e pontos de luz: o par de todo dia

A argola média, entre 15 e 25 mm de diâmetro, é o brinco mais versátil que existe: visível o bastante para dar cara a um rosto sem maquiagem, pequena o bastante para caber embaixo do gorro e encostar no celular sem incomodar. Maior que isso vira peça de festa; menor vira mini argola, feita para o segundo furo.

Com mais de um furo, a combinação mais simples é argola média no primeiro e mini argola ou ponto de luz no segundo. Não passe de dois tipos de brinco por orelha: é exatamente aí que o excesso começa. Na dúvida, o ponto de luz redondo de 3 a 4 mm em vermeil é a joia da qual ninguém se arrepende.

Empilhar anéis sem carregar

Anel se pensa por mão, não por dedo. De três a quatro aros numa mão, distribuídos em dois dedos, continuam legíveis; passou disso, você não vê mais a mão. Vale o mesmo ponto focal: um anel mais presente, chancela ou aro abaulado, e aros finos, texturizados ou martelados em volta.

Empilhe no indicador ou no médio, deixe o anelar com um anel só ou vazio, e mantenha a outra mão quase nua. Peça meio número acima nos aros de empilhar: apertados, eles comprimem o dedo no fim do dia. Os aros finos folheados são os que gastam mais rápido, porque atritam entre si — é justamente nesse ponto que o vermeil compensa.

Cuidar para não escurecer

O escurecimento vem de três coisas: perfume, suor e produto de limpeza. Coloque as joias depois do perfume e do creme, nunca antes, e tire para limpar a casa ou lavar louça. Uma vez por semana, um banho de água morna com uma gota de detergente e secagem com flanela dá conta do vermeil e do aço. Folheado se limpa a seco, com pano macio.

Guardar conta tanto quanto: correntes penduradas num porta-joias ou cada uma no seu saquinho, anéis em caixa fechada, longe da umidade do banheiro. À noite, para um jantar com as amigas, você acrescenta uma peça ao conjunto; no dia seguinte, tira. O resto não se mexe.

Resumindo

Um conjunto de joias douradas se monta uma vez, com um ponto focal e espessuras diferentes, e depois se usa sem pensar. Compre em vermeil ou aço o que nunca sai do corpo e em folheado o que muda com a estação. Duas correntes de comprimentos bem distintos, um par de argolas médias, três ou quatro aros numa mão: é isso. E, como acontece com a bolsa que você carrega todo dia, é o cuidado que faz a peça durar.

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